“Após os dois anos a viver em Portugal, na zona de Lisboa, vivi em grandes dificuldades financeiras, pois como sou imigrante e não tinha visto para trabalho uma vez que aqui cheguei como turista não conseguia um emprego estável. Apesar de tudo nunca me deixei abater e sempre tive a certeza de que mais dia menos dia tudo ia mudar. Por mais difícil que fosse, nunca me meti em problemas e nem mesmo quando me vi na rua, sem casa, e com fome, em nenhum momento me passou sequer pela cabeça fazer algo que pudesse prejudicar fosse quem fosse.
Procurava acreditar que mesmo na miséria financeira eu ainda tinha comigo a maior de todas as riquezas: a honestidade e a humildade.
Até que um dia, ainda a viver no Centro de Acolhimento em Xabregas, fui convidado por um dos colegas, a conhecer a CAIS. Sem dúvida foi para mim um ponto crucial. Pois ali tive finalmente o acesso a recursos que me permitiram buscar uma oportunidade concreta de restabelecer a normalidade na minha vida. Lá tive cursos de formação, participei em diversas actividades pedagógicas e artísticas, além de contar com o apoio psicossocial e jurídico.
Porém foi sem dúvida um momento marcante quando no evento “Pão de todos. Para todos” foi-me dada a oportunidade de subir ao palco, cantar e tocar para as pessoas que ali estavam presentes.
Após o concerto fui interpelado por um repórter de um canal de televisão, o qual fez comigo uma entrevista para o jornal nacional, onde pude expor o meu dilema para todo o país. Alguns dias depois o empresário António Santo, proprietário do Old Beach, em Leiria, sensibilizado com a matéria, contactou a CAIS através da Assistente Social responsável pelo meu caso, Daniela Ferreira e hoje graças a Deus e a todas as pessoas que me apoiaram, já tenho um lar e acima de tudo um trabalho digno que me permite arcar com as minhas despesas pessoais e ajudar os meus dois filhos que estão no Brasil com a mãe.
Portanto, acho que a mensagem que fica é: jamais devemos abrir mão dos nossos sonhos e objectivos por mais distantes e impossíveis que possam parecer há que perseverar e lutar sempre!”